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Estreia essa semana, no dia 20 (sexta-feira) no UCI Ribeiro o fenômeno de bilheteria Terra de Maria.

A premissa dramatúrgica é simples: um agente secreto (Juan Manuel Cotelo, também diretor do filme) é contratado para investigar ao redor do mundo o porquê das pessoas ainda no século 21 acreditarem nas aparições da Virgem Maria e peregrinarem em multidões para os lugares dessas anunciadas aparições. O agente J. M. (satirizando James Bond) precisa descobrir porque essas pessoas não apenas tomam os ensinamentos de Nossa Senhora como guia para suas vidas mas também estimulam outras pessoas a segui-la.

O mote, levado em tom cômico, funciona principalmente como um laço narrativo para amarrar as entrevistas reais e documentais feitas em mais de dez países por Juan Manuel (ator conhecido pelo sucesso espanhol “Da Cama para a Fama”, 2003). Com o humor (ingênuo, é verdade) colocado pelo desconfiado agente, que se apresenta como “o advogado do Diabo”, o filme vai sendo conduzido entre uma fala emocionada e outra de dez personagens, que vai de pessoas influentes a outras anônimas, mas com fé inabalável no poder de Nossa Senhora.

Os depoimentos que vemos em “Terra de Maria”, a princípio buscados pela produção para reforçar a fé do espectador católico não-praticante, não abusa desse objetivo. Não procura convencer mas apenas compartilhar experiências de vidas transformadas a partir de um ponto de inflexão no percurso dessas mesmas pessoas que um dia foram céticas. É assim que se apresenta “o advogado do Diabo”, a que tudo questiona, como um bom documentarista.

Mesmo fora do universo religioso, o filme pode ser visto como um interessante e inteligente projeto que vai na jugular de qualquer espectador sensível. Mostra pessoas ao redor do mundo que sofrem espiritualmente por questões particulares e alcançam conforto por passar a acreditar em algo além de si mesmo. Considerando que, em alguma escala micro ou macro, o espectador pode se identificar com algum conflito e daí atentar à palavra de ordem pacificadora replicada nos depoimentos, “Terra de Maria” consegue prender a atenção. Já no caso particular dos católicos praticantes que lotam as sessões, “Terra de Maria” parece provocar uma catarse.

Mais informações: on.fb.me/1MQiw7j

Fonte: Folha Pernambucana